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Djalma Filho será julgado em setembro pelo Júri Popular

Gil Sobreira/24/06/2016/5142/0
Política

"Entrarei de férias regulamentares no mês julho, retornando em 01 de agosto, daí vou me debruçar sobre esse processo, a fim de me preparar para fazer esse júri", disse o promotor Régis Marinho ao GP1.

 

O promotor de Justiça Régis Marinho confirmou, em entrevista ao GP1, que o julgamento do ex-vereador Djalma Filho pelo Tribunal Popular do Júri ocorrerá no mês de setembro. “Entrarei de férias regulamentares no mês julho, retornando em 01 de agosto, daí vou me debruçar sobre esse processo, a fim de me preparar para fazer esse júri”, revelou o promotor que é o titular da 15ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo caso. 

O promotor destacou a importância do julgamento de Djalma Filho para a sociedade, “esse julgamento significa que o Poder Judiciário, juntamente com o Ministério Público, dá respostas a casos emblemáticos que comoveram a população, fazendo Justiça e mostrando que não devemos compactuar ou aceitar como normal a impunidade. Poder concluir este caso, honra o nosso trabalho.”

STJ negou último recurso

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negou provimento, no dia 08 de junho, ao Agravo Regimental interposto pelo ex-vereador nos Embargos de Divergência. No mesmo dia, as 19h08min, foi expedido telegrama judicial de n° JCD3S-2190/2016 ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Erivan Lopes, comunicando o resultado do julgamento.

Lembre-se do caso

Djalma Filho foi pronunciado pelo juiz da 1ª Vara do Júri, Antônio de Jesus Noleto e recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado. Dez anos depois do crime, a 1ª Câmara Especializada Criminal ao apreciar o recurso em 04 de dezembro de 2008, decidiu, por unanimidade, que Djalma Filho deveria ser julgado por júri popular. Foi então interposto Recurso Especial e Extraordinário, ambos denegados em 15 de abril de 2009 e interposto em seguida Agravos de Instrumento contra as decisões.

Em despacho datado de 19 de maio de 2010 o então presidente do Tribunal de Justiça Edvaldo Moura se manifestou “tendo em vista a Certidão da Secretaria de Serviços Cartorários Criminal, informando que foram interpostos Agravos em Recurso Especial e Recurso Extraordinário, por parte do recorrente Djalma da Costa e Silva Filho, aguarde-se em cartório o julgamento dos recursos, respectivamente, perante o Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal”.

Recurso no STF já foi julgado

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, negou, em 03 de fevereiro de 2014, seguimento ao Agravo de Instrumento interposto pelo ex-vereador Djalma Filho. O objeto do agravo era a decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Estado do Piauí.

Djalma Filho recorreu ao STF alegando “ausência de direito de Defesa, por conta de jamais ter sido oportunizado prazo para produzir prova”. Djalma afirma no recurso que “é garantido ao acusado o direito de ser processado perante juiz competente, resguardando, então, o Princípio do Juiz Natural”.

Em 11 de março de 2014 a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, negou provimento ao agravo regimental interposto pelo ex-vereador e a decisão foi comunicada ao Ministério Público do Estado do Piauí em 11 de abril de 2014, através do ofício enviado via postal.

Quem foi Donizetti Adalto

Natural do Paraná e radicado como apresentador de programa de TV no Piauí, Donizetti Adalto dos Santos, mais conhecido como Donizetti Adalto (Mandaguari, 7 de janeiro de 1959 — Teresina, 19 de setembro de 1998) foi um escritor, jornalista e apresentador.

O crime

De acordo com a PF, Djalma arquitetou a morte de Donizetti porque estava se sentindo prejudicado eleitoralmente. Djalma era candidato a deputado estadual em dobradinha com o jornalista. As pesquisas mostravam que Donizetti seria eleito, enquanto Djalma não. No dia anterior, os dois discutiram seriamente por telefone. “Djalma não admitia perder. Ele foi criado para ganhar sempre”, discorreu o então superintendente da PF no Piauí, delegado Robert Rios. Por conta do escândalo, Djalma perdeu o mandato de vereador. A Câmara entendeu que seu envolvimento no episódio constituiu quebra de decoro parlamentar. Djalma chegou a chorar sobre o caixão de Donizetti durante o velório no Ginásio Verdão

Donizetti Adalto foi espancado e assassinado com sete tiros a queima roupa na madrugada do dia 19 de setembro de 1998, pouco antes de uma hora da madrugada, na Avenida Marechal Castelo Branco, nas proximidades da ponte do bairro Primavera, na zona norte de Teresina. Ele era candidato a Deputado Federal pelo PPS, e estava acompanhado de seu companheiro de chapa, o advogado e até então vereador de Teresina, Djalma da Costa e Silva Filho, mais conhecido por Djalma Filho, que buscava vaga na Assembleia Legislativa do Piauí também pelo PPS.

Ambos retornavam de um comício em um automóvel Fiat Tipo quando foram abordados e Donizetti assassinado sem chances de defesa. A Polícia Federal ajudou a Polícia Civil nas investigações. Djalma chegou a participar do velório de Donizette Adalto, que ocorreu no Ginásio de Esportes Verdão.

A motivação do assassinato

As provas colhidas pelo Ministério Público do Estado do Piauí denunciaram que a suposta autoria intelectual do crime recai sobre Djalma Filho, na época vereador à Câmara Municipal de Teresina. Naquela época, Donizetti já despontava no cenário político local com invejável índice de aceitação popular.

Comoção popular

Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre saindo do Ginásio Verdão até o cemitério Jardim da Ressurreição, onde Donizetti foi sepultado.

Frases e bordões

Donizetti Adalto também criou bordões e frases que até hoje são lembrados pela população piauiense como: “Morro e não vejo tudo” e “Cristo está voltando”, ou ainda palavras como gatunagem, tatú societi e mamismo. O slogan da candidatura de Donizetti Adalto era ‘Calar não calo e Pau na Máfia’.

 

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