Tribunal do Júri de Valença (PI) condena réu que matou própria filha a 31 anos de reclusão
Leonardo Irwing Daniel da Silva cumprirá pena de 31 anos de reclusão em regime fechado na Penitenciária Regional José de Deus Barros, em Picos.

Em um julgamento que durou cerca de 15 horas, o Tribunal do Júri da Vara Criminal da Comarca de Valença do Piauí condenou o réu, Leonardo Irwing Daniel da Silva à pena de 31 anos de reclusão em regime fechado pelo crime de homicídio qualificado contra a sua própria filha de apenas um ano de idade, Nicolly Gabriel Daniel da Silva. O crime ocorreu em fevereiro de 2018 na cidade de Pimenteiras.
De acordo com a defesa do réu feita pelo advogado Marcos Vinicius Brito, ele (o réu) tem distúrbios mentais e que os jurados não conseguiram entender as provas de que o seu cliente é uma pessoa inimputável e, portanto, precisa de tratamento de saúde.

"Entendemos que houve uma prova contrária aos autos, posto que há um laudo pericial dizendo que o réu é semiinimputável, pedimos na nossa tese pela inimputável dele (o réu), pois uma pessoa que ouve vozes, que conversa com pessoas imaginárias...então entendemos que houve uma prova que não foi bem avaliada pelos jurados e, não conseguiram entender. Quando se fala em CID 10 (Classificação Internacional de Doenças), está se falando de doença psiquiátrica e não de doenças comportamentais", disse o advogado.
A defesa argumentou ainda que o seu cliente toma medicamentos de uso controlado, como é o caso da ´Sertralina´."Quando se toma um remédio como esse, que é não é um antidepressivo, ele é um remédio que é para combater um possível desvio mental da pessoa e diante disso nós já ofertamos uma denúncia e vamos recorrer", afirma.
Para o juiz titular da Vara Criminal de Valença do Piauí, Franco Morette, o tribunal do júri cumpriu o seu papel e apesar da demora para proferir a sentença, o magistrado disse que os trabalhos foram concluídos dentro do esperado.

"Nós passamos do horário normal dos trabalhos, mas isso é comum e às vezes imprevisível e no que tange a avaliação dos trabalhos, verifico que correu da melhor forma possível com alguns pequenos imprevistos, como a dificuldade de manutenção do link (de transmissão), que é acessível ao público, porém os trabalhos em si, conforme legislação aplicável, ocorreu dentro da normalidade".
Na plateia, alguns familiares do réu e também parentes e amigos da mãe da vítima do crime, Amanda Kelly, disse que durante o julgamento, ficou muito nervosa, mas que no final a justiça foi feita e que a partir de agora quer retomar a sua vida.

"Na minha opinião foi feito justiça. Foi um excelente trabalho por parte dos jurados, eu estava nervosa durante o meu depoimento, senti uma sensação diferente e, é isso; o que eu vim buscar aqui foi justiça. Eu quero dizer pra ela (Nicolly) que eu prometi lutar por justiça, eu lutei e que eu sinto uma saudade muito grande, pois eu prometi que iria lutar e consegui", concluiu.




